domingo, novembro 01, 2009

Meu trabalho vale mais que um "pinguim"


Nessa última semana rolou um "babado" astronômico sobre um concurso do Bando HSBC em que eles pediam fotos para a nova campanha deles, e o prêmio, era a divulgação da mesma.
A comunidade fotográfica respondeu com paus e pedras sem esperar por mais delongas. Se uniram e fizeram coro de revolta quanto a falta de respeito ao trabalho deles.
Resultado? O HSBC mudou as regras do concurso e agora irá pagar pelas fotos. Não foi divulgado o valor que irão pagar (pelo menos até a última vez q li a respeito), mas o importante é que os fotógrafos fizeram ser ouvidos e conseguiram resultado, por menor que seja, pois é assim que se começa.

Isso é algo que deveria acontecer também entre ilustradores, especialmente entre aqueles que estão começando que adoram fazer coisas "de graça" só para aparecer e divulgar seu trabalho. Não vou tacar paus e pedras pois eu mesma já fiz isso. Em começo de carreira, acho que nem pensamos muito nisso, são coisas que acontecem quando temos alguém para nos direcionar e falar "faça assim e não assado".

Meu pai uma vez me contou algo muito engraçado e que eu levo muito em consideração. Não me lembro onde ele ouviu isso, mas achei formidável.

Um artesão uma vez fez um trabalho e colocou um valor "X" na peça. O cliente chegou para ele e falou que estava muito caro e pediu para que ele baixasse esse preço. O artesão disse que não faria isso, pois iria desvalorizar o trabalho dele, principalmente porque tem pessoas que respeitam o que ele faz e pagam o preço que ele pede.

Nisso, chegou uma outra cliente e ficou simplesmente encantada com a mesma peça, elogiou muito e comentou que um dia teria dinheiro para comprá-la. O artesão, na frente do outro cliente, ofereceu para a mulher a mesma peça por míseros 1/4 do valor original. A mulher ficou felicíssima e comprou a peça na hora.

O outro cliente ficou P... e foi bater boca com o artesão, que simplesmente respondeu "eu escolho o valor do meu trabalho assim como escolho para quem eu vou vender. Se eu quiser dar de presente ou jogar no mar, o problema é meu, pois a peça é minha. Mas você não tem o direito de vir aqui e pedir para eu baixar o preço do meu trabalho, pois assim você demonstra que não me respeita. Isso quem decide sou eu".

Isso me fez pensar muito em como a gente encara a ilustração. As pessoas, no geral, não respeitam ilustradores. Acham que só pq fazemos "desenho" no conceito deles, não trabalhamos, pq é uma coisa tão legal e divertida, isso é visto como um dom, não acham que gastamos horas de estudo e treino, isso sem contar dinheiro com cursos, palestras, workshops, upgrade com computador, tintas, papéis (q são caros se compramos os de qualidade) e o que mais pintar na frente, pois em lugar comum é que não podemos ficar, se não nos mexermos, o cliente não vem até nós só pq nosso trabalho é "bonitinho".

Concursos que prometem divulgação (ou um pinguim de geladeira) é uma falta de respeito sem proporção. Ora essa, divulgação por divulgação, estou na Internet direto, com meu site, flickr, myspace , DA, twitter, facebook e por aí vai. Não preciso da divulgação de concursos. Preciso, sim, do respeito e de dinheiro, pois divulgação não paga minhas contas. Aparecer na revista ou em um cartaz pq é bonitinho também não paga minhas contas.

Bom, isso tudo, além de um leve desabafo, foi também para dizer que a Old Black Gallery criou, com ilustração do Fernando Mosca, uma campanha para contribuir com a busca pelo respeito e valorização da profissão de ilustrador.

Quem quiser saber mais a respeito e pegar um dos vários selos da campanha, é só entrar nesse link que tem tudo lá :)


Um comentário:

Gicelle Archanjo disse...

Estou com vc! aacho uma falta de respeito com o trabalho do artista, que como vc escreveu, estuda, gasta com materiais, leva tempo para fazer um trabalho e tudo é encarado como dom, talento que deve ser "doado" para todos os fins. Acho o cúmulo.

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